Seja bem-vindo. Hoje é

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

'NADA MAIS'

A Rafael Azula Barrera


Resta-me a alva cheia
de presenças azuis
e a gota do tempo
sobre o cristal do sonho.

Resta-me o curvo rio
onde apóia sua fronte
a lua enquanto canta
com voz delgada e branca.

Resta-me uma janela
com contorno de sorriso
e olhares, semeando,
terna, sua trepadeira.

E a espiga da alma,
sua dourada verdade,
querendo ser estrela:
já quieta claridade.

Com os braços abertos
resta-me o horizonte,
e aquela margarida
morta com seu segredo.

E um amor, um amor
mais alto que meu canto,
que me torna celeste
e me ascende a cálida
guitarra do sangue.

Resta-me essa cidade
de sinos, afundada
no meu fechado mar,
e um doce caracol
que me dá seu rumor
achado nesta humana
praia das palavras.

Restam-me, vagamente,
a borboleta diáfana
da luz, uma tarde
limitada de música,
aquele perfil de lua
e uma voz que me chama
coberta de orvalho.

E o rumor cristalino,
da hora, crescendo
surdidor rumo ao frio
espaço da morte.


Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

Nenhum comentário:

Postar um comentário