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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

''MUSÉE DES BEAUX ARTS''

 

 
Eles nunca se enganavam sobre o sofrimento,
Os Velhos Mestres: como entendiam
Bem a sua posição humana; como tem lugar
Enquanto alguém está comendo ou abrindo uma janela ou só a passear
Por aí, como quando os mais velhos estão reverente, apaixonadamente
Esperando pelo miraculoso nascimento,
Sempre haverá crianças que não queriam, especialmente,
Que isso acontecesse, a patinar num lago na orla do mato:
Eles nunca esqueciam
Que até o terrível martírio tem de seguir o seu curso exato
De qualquer modo num canto, nalgum terreiro
Imundo onde os cachorros continuam levando sua vida canina e o cavalo
Do torturador raspa contra uma árvore o seu inocente traseiro.
 
No Ícaro de Brueghel, por exemplo: como tudo o mais se desvia
Tranquilamente do desastre; o camponês com o arado podia
Muito bem ter ouvido o barulho, o grito desamparado,
Mas para ele não era um fracasso importante; o sol brilhou
Como tinha de brilhar sobre as pernas brancas submergindo
Na água verde; e o navio caro e delicado
Que deve ter visto alguma coisa espantosa, um garoto caindo
Do céu, tinha algum lugar para ir e calmamente continuou.

W. H. Auden
Tradução Renato Suttana

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